terça-feira, 27 de setembro de 2011

Reflexões sobre a Copa –Missão (Im)possível

Tenho analisado criticamente as ações realizadas pelo poder público e pela iniciativa privada, relacionadas à Copa do Mundo de Futebol de 2014, tanto a nível nacional quanto regional e olha, vou te contar hein... Parece que a coisa está feia! Ou como diria o Sargento Xavier, personagem interpretado pelo ator Anderson Di Rizzi na novela Morde e Assopra da Rede Globo, “é osso”.

Em uma conversa com meu irmão mais velho, lembrei-me de uma marchinha de 1958, feita para homenagear a primeira conquista do Brasil, na copa da Suécia. E numa linguagem mais contemporânea – ta na moda, né! – apresento-lhes um trecho da versão que estou preparando e, se Deus quiser, até 2014 terminarei: “A copa do mundo é nossa, com Cuiabá, não há quem possa... Será mesmo, hein?!

Faltando menos de 1 mil dias para o inicio da Copa do Mundo de Futebol de 2014, uma das palavras que mais encontramos com relação ao evento é a palavra “atraso”. Numa rápida busca no google identifiquei mais de 5 milhões de resultados relacionados aos atrasos nas obras necessárias para a viabilização da copa no Brasil. É atraso nos estádios, aeroportos, obras de mobilidade urbana... até a seleção brasileira de futebol está atrasada na sua preparação para a conquista do hexa no Brasil, e a coisa está tão feia que a única coisa que ela tem conquistando são posições decadentes no ranking da FIFA. A última conquista foi a 7ª colocação, na lista publicada no último dia 21 de setembro. Se continuar nesse ritmo só teremos copa aqui em 2050, ano em que será comemorado o centenário do vexame que o Brasil deu na final da copa de 1950, realizada por aqui. E a conquista do hexa?... Melhor nem comentar! Mas como “neztepais” o que vale no final das contas – ou do jogo - é o “jeitinho brasileiro”, talvez a gente consiga realizar o evento, enriquecendo ainda mais algumas dezenas de pessoas.

Então, quando um sopro de esperança e otimismo tenta dominar-me encontro na edição de domingo (25/09) da Folha de São Paulo a manchete de capa “Má gestão coloca em risco o legado da Copa”. A matéria diz que: “Quase quatro anos após o Brasil ser escolhido como sede da Copa de 2014, o governo perdeu o controle do andamento das obras ligadas ao evento e pôs em risco o legado de infraestrutura que ele poderia deixar para o país. Divulgado há 11 dias, o balanço mais recente do governo sobre os projetos da Copa já está desatualizado. Prazos indicados no documento não batem com informações das cidades-sede, e outros soam irreais diante dos problemas que as obras têm enfrentado. Autoridades que acompanham os preparativos para a Copa já falam em organizar os dias de jogos com a estrutura hoje disponível, sem contar com as novas obras. A promessa do governo de entregar nove estádios no final de 2012 também já caiu por terra, com novos atrasos”.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontro o artigo “Em pé de guerra” de Lauro Jardim, publicado em 24 de setembro na Coluna Radar, da revista Veja. Em seu texto, Jardim afirma: “Está muito mais esgarçada do que aparenta a relação entre a FIFA e o governo. No início do mês, Joseph Blatter enviou para Dilma Rousseff uma carta em que reclamava da morosidade das obras da Copa e com a demora de o governo enviar para o Congresso a Lei Geral da Copa (LGC). O Planalto considerou a cobrança “fora de padrão” — é exatamente esse o eufemismo usado, de forma irônica, claro. Dias depois, o governo mandou para a Câmara a LGC. Mas o clima esquentou ainda mais. A FIFA considerou inaceitável o projeto. Feriria o que foi acordado quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa e lhe traria prejuízos comerciais enormes. Meia entrada para estudantes e descontos para maiores de 65 anos no preço dos ingressos são um dos motivos da briga. Só que a própria Dilma diz que “não há a menor possibilidade de restringir direitos existentes no Brasil”. Essa briga promete ir longe. A FIFA para pressionar o governo ameaça até com um plano B, que retiraria a Copa do Brasil. Sabendo disso, os EUA já se movimentam. Nos bastidores os dois lados falam tudo uns dos outros — menos palavras de elogios”.

Pois é, se a nível nacional “ta osso”, imagine a nível regional, onde o sonho da “Copa do Pantanal“ está cada vez mais vivo(?) e a Agecopa teve o seu processo de entropia acelerado com o caso “Brito”, dando origem à Secopa. Além disso, não abordei efetivamente as ações da iniciativa privada, principalmente as do trade turístico, que está numa situação delicada. Mas isso é assunto para outro artigo...

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