domingo, 9 de outubro de 2011

Arregimentados pro céu

Foi Jacqueline Auriel que cunhou a frase: "Não é de morrer que tenho medo. É de não vencer." Pois bem, está semana duas pessoas de grande relevância pra mim foram arregimentadas pro céu e, de certa forma, não fiquei triste, pois sei que elas não tinham medo de morrer, mas sim de não vencer. Mas elas venceram! Cada um do seu jeito. Estou falando de Steve Jobs, que morreu na última quarta-feira (5) aos 56 anos e Névio Lotufo, que morreu na última sexta-feira (7) aos 80 anos de idade.

Pois bem, antes de continuar este artigo, ofereço-lhes o poema “O Fim”, de Giovanni Gallindo:

E no fim,

Que todo o meio valha a pena.

E se não valha?

E se não pena?

E se não fim?

E na pena,

Que todo o meio, valha o fim.

Quem gosta de tecnologia como eu – e também quem não gosta – , não pode negar que Jobs teve um papel fundamental na popularização desta, desenvolvendo vários produtos que revolucionaram a forma como nos comunicamos hoje em dia. Fundador da Apple – maior empresa de capital aberto do mundo–, e do estúdio de animação Pixar – que produziu alguns dos melhores filmes de animação de todos os tempos – Jobs foi acima de tudo um sonhador, que seguindo a sua curiosidade e intuição conseguiu se transformar num dos homens mais importantes de toda história mundial, tal qual um dos seus maiores ídolos: o filósofo Sócrates. Em 2004 iniciou sua luta contra um câncer. Sobre a morte disse em 2005, em seu famoso discurso feito aos formandos da universidade: "Mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. E, por outro lado, a morte é um destino do qual todos nós compartilhamos. Ninguém escapa. É a forma como deve ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente da vida. Limpa o velho para dar espaço ao novo."

Então, ao ler as notícias nos jornais da última sexta-feira (7) descubro que um dos principais personagens da cultura cuiabana – Névio Lotufo – com quem tive a honra de dividir alguns momentos em bailes de dança, pesquisas pra faculdade e em eventos culturais, faleceu em virtude de um infarto do miocárdio. Névio foi um cara que viveu intensamente seus 80 anos de vida, dando exemplo de disposição. Fundador da Cruz Vermelha de Mato Grosso. Ele foi o primeiro cineasta de Cuiabá. Era comentador, dançarino, motorista, colecionador de carros, fotógrafo, patinador, jogador, boêmio, empresário... Enfim, uma pessoa com múltiplos talentos que sabia viver a vida.

Após alguns minutos refletindo acerca da vida e da morte, analisando o quão frágeis nos somos, fiquei imaginando como seria o encontro de Jobs e Lotufo no céu... Curioso, não? Uma coisa é certa, o céu não será mais o mesmo com a chegada destes personagens lá. É capaz que Jobs abra uma lan house no céu e Lotufo organize alguns bailes por lá. Tudo isso com a vontade de viver sempre demonstrada por eles.

E pra finalizar deixo o poema “A vida e a Morte”, de autoria de Claudia Souza, que de certa forma, contribui para eu organizar alguns pensamentos conflitantes que começam a surgir...

Corre nas veias,
No brilho de um olhar,
Apenas no som de um respirar
Deslumbra num simples passo...
Num simples conjunto de passos,
Que formam o caminhar...
Num toque,
Num gesto,
Num movimento...
Num batimento ritmado,
De um coração que manifesta sua existência
Tudo isso desapercebidamente
Se passa quando ela existe...
E também não se faz atentar
Mas quando se vai
Tudo fica inanimado
Não há mais o que se vislumbrar
O brilho se vai,
A alegria, o amor, a esperança...
Ficam apenas memórias
Ficam apenas lembranças
Entre a vida e a morte...

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