segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E o agente da demanda?


Quando conheci a obra do dramaturgo, escritor e poeta irlandês Oscar Wilde, o livro “A alma do homem sob o socialismo”, escrito em 1891, foi um dos que mais me instigou e, de certa forma, ajudou-me a sanar alguns questionamentos internos acerca de diversos temas. Em um dos trechos que mais gosto Wilde diz o seguinte:

“Um trabalho de arte é o resultado único de um temperamento único. Sua beleza vem do fato de o autor ser o que ele é. Nada tem a ver com o fato de outras pessoas quererem o que elas querem. No momento em que um artista percebe o que os outros querem, e tenta suprir a demanda, ele deixa de ser um artista e passa a ser um artesão, excelente ou medíocre. Deixa de ser um artista e passa a ser um homem de negócios, honesto ou desonesto”.

Pois bem, quando decidi trabalhar como produtor cultural efetivamente, deixando, de certa forma, o lado “artista” para dedicar-me mais ao serviço burocrático de produtor – que nada mais é do que o administrador de um bem e/ou serviço cultural – uma pergunta não saia da minha cabeça: será que deixarei de ser artista para ser um comerciante?

Pra quem é da área artística – e até pra quem não é – é no mínimo tentador refletir sobre esse fato do artista como um homem de negócios. Ainda mais nos dias de hoje, quando se difunde cada vez mais o conceito de economia criativa e tantos outros temas e, como diz o meu amigo Luciano Pires, “os marqueteiros transformaram a produção cultural brasileira numa indústria baseada em pesquisas e focada em nivelar por baixo os produtos ditos ‘culturais’ que cria e promove”.

O pior é que a situação não é tão “simples” assim... Os grandes formadores de opinião seguindo um dos segredos da fama que é “dar ao povo o que ele quer” acabam por dar dimensões maiores do que as necessárias para algumas “manifestações culturais” e acabam por criarem falsas demandas. Aí surgem as celebridades instantâneas, músicos de um sucesso só, apelação sexual para se manter na mídia, entre outras aberrações culturais.

Pesquisando sobre o tema encontro o texto do Sandro Borelli “Dança: Para quem? Para quê? Por quê?” em que ele reflete acerca do público da dança contemporânea ser cada vez menor e sobre posicionamentos de alguns artistas. Borelli diz que: “as ferramentas ou signos usados na construção de um trabalho coreográfico são, muitas vezes, de difícil acesso a quem nunca viu dança contemporânea. O artista passou a ignorar o público e declarar, talvez influenciado pelo discurso de pesquisadores e acadêmicos, que dança de pesquisa ou de experimentação não se atrela às grandes platéias por um motivo básico: o público comum está a anos luz de compreender a vanguarda. Será?”. Ainda em seu texto Borelli afirma que outro fato determinante para o público cada vez menor é o distanciamento do drama, da lágrima e da emoção. “Quase tudo se tornou hermético demais. Ao público restou o incomodo de ser um boneco acomodado na poltrona do teatro sentindo-se um idiota por não compreender o que está ali bem à sua frente”.

No meio disso tudo temos o público, que tem o papel mais importante nesse contexto, pois ele é o agente da demanda. Não se pode desrespeitá-lo e muito menos oferecer a ele o que temos de pior nos produtos ditos, ”culturais”. Mas qual o “nível” desse agente da demanda para não ser manipulado, hein?

Este é apenas o início de uma reflexão acerca situação atual da produção cultural brasileira. E você, o que pensa a respeito? Ou não pensa nada? E vai fazer o quê?! Escreva-me a sua opinião, pois “refletir sem agir é como comer sem digerir”.

domingo, 16 de outubro de 2011

Síndrome da Hospitalidade Forçada

Numa recente discussão com um amigo acerca da hospitalidade cuiabana, o mesmo me disse uma frase no mínimo intrigante: “Cuiabá é uma cidade quente em todos os aspectos e, no que tange a hospitalidade, é notório o fato da cidade possuí-la para dar e vender”. Será mesmo?

O termo hospitalidade deriva da palavra de origem francesa “hospice” e significa dar ajuda/abrigo aos viajantes. No inicio das civilizações, a hospitalidade se restringia em apenas conceder abrigo e alimento a quem estava longe de seu domicilio. Segundo Rosislene Fontana, turismóloga e pesquisadora do tema, a hospitalidade pode ser entendida como o conjunto de ações e atividades individuais e coletivas, de caráter pessoal ou comercial, público ou privado, implicados na recepção das pessoas envolvidas nas relações de acolhimento.

No turismo, é fundamental que a hospitalidade advinda dos bens tangíveis e intangíveis proporcionem o bem estar físico e psicológico do visitante, fazendo com que este “sinta-se em casa” mesmo estando, muitas vezes, há milhares de quilômetros da sua residência. Para que isso ocorra, deve-se existir nas organizações que lidam direta ou indiretamente com o turista, uma continua pesquisa e qualificação acerca das necessidades e características de cada perfil de visitante. Lógico? Quem dera fosse!

Com o advento da Copa do Mundo de Futebol de 2014, que se as forças que regem o universo conspirarem a favor, será realizada no Brasil, tendo Cuiabá como uma das sub-sedes, o fator hospitalidade, que é um dos principais ingredientes do produto turístico, ganha uma importância imensurável. Nesse sentido, tenho andado muito pela cidade analisando criticamente a hospitalidade em diversos setores, principalmente nos equipamentos turísticos e no comércio em geral, e tenho me deparado com cada situação...

Não generalizando, o que encontrei nestas minhas andanças por Cuiabá pode ser definido como SHF – Síndrome da Hospitalidade Forçada. Isso porque me deparei com uma hospitalidade automática. Àquela realizada por um tipo de profissional que aparentemente vem crescendo cada vez mais, em virtude do posicionamento de algumas empresas que visam apenas o lucro e o rendimento cada vez maior dos seus funcionários à curtíssimo prazo, sem darem o respaldo necessário para que isso aconteça de forma natural, e com isso desenvolvem o que eu chamo de “profissionais automáticos” (abordarei esse tema num outro artigo). Estes são àqueles profissionais que quando você chega há algum estabelecimento, principalmente no comércio varejista, te dão um bom dia sem nem olhar nos teus olhos; um abraço rapidinho sem muita energia e sinceridade, pois há outras centenas de pessoas a serem abraçadas; te oferecem um cafezinho com biscoito de água e sal sem a mínima vontade. Um atendimento nos atrativos turísticos da região, onde os estagiários colocados ali para minimizar os custos não tem o mínimo de conhecimento acerca da história, da cultura e da geografia regional e que fazem um atendimento baseado em repetir o que foi lido nos materiais publicitários distribuídos nestes atrativos turísticos. Um CAT – centro de atendimento ao turista fechado e/ou quando aberto, sem profissionais devidamente qualificados para atenderem o turista, tendo inclusive casos de chegar um estrangeiro no CAT, e o atendente precisar procurar alguém em alguma escola de idiomas próxima para conseguir se comunicar com este turista. Um atendimento no transporte coletivo que, se você não estiver com todos os equipamentos de segurança é capaz de não sair vivo nem de um trajeto relativamente curto: cerca de 20 km. Se o trajeto for maior é melhor começar a rezar antes de entrar no ônibus. Um atendimento baseado na sua vestimenta: se estiver bem trajado será muito bem recebido, se tiver mais simples... corre o risco de ser espancado até a morte, como já aconteceu num certo Shopping Center da “zeliete”aqui de Cuiabá. Entre outros exemplos.

Talvez está tenha sido apenas uma leitura momentânea minha, feita de forma equivocada –sinceramente, quero acreditar que sim. Mas, caso seja real, está é a hospitalidade que temos a oferecer ao povo cuiabano e aos visitantes? Sinceramente, como crer no sucesso do maior evento esportivo do mundo sendo realizado aqui? Por que trabalhar um marketing de “cidade hospitaleira” se na prática não é bem assim que acontece? Por quê? Por quê? Por quê?.... Há tantas questões a serem respondidas, e parece que há tantas respostas há serem escondidas.

Pra finalizar, deixo um trecho de uma artigo nostálgico de Luís Filho, Um olhar sobre a Cuiabá 285 anos: “Cuiabá, em meus tempos de menino, e mesmo na minha mocidade, era cidade hospitaleira, algo inocente, caracterizada por seus quintais ricos em mangueiras e cajueiros. A vida corria mansa, sem os sobressaltos dos dias de hoje.” Iaê, será que hospitalidade é questão de habilidade?

domingo, 9 de outubro de 2011

Arregimentados pro céu

Foi Jacqueline Auriel que cunhou a frase: "Não é de morrer que tenho medo. É de não vencer." Pois bem, está semana duas pessoas de grande relevância pra mim foram arregimentadas pro céu e, de certa forma, não fiquei triste, pois sei que elas não tinham medo de morrer, mas sim de não vencer. Mas elas venceram! Cada um do seu jeito. Estou falando de Steve Jobs, que morreu na última quarta-feira (5) aos 56 anos e Névio Lotufo, que morreu na última sexta-feira (7) aos 80 anos de idade.

Pois bem, antes de continuar este artigo, ofereço-lhes o poema “O Fim”, de Giovanni Gallindo:

E no fim,

Que todo o meio valha a pena.

E se não valha?

E se não pena?

E se não fim?

E na pena,

Que todo o meio, valha o fim.

Quem gosta de tecnologia como eu – e também quem não gosta – , não pode negar que Jobs teve um papel fundamental na popularização desta, desenvolvendo vários produtos que revolucionaram a forma como nos comunicamos hoje em dia. Fundador da Apple – maior empresa de capital aberto do mundo–, e do estúdio de animação Pixar – que produziu alguns dos melhores filmes de animação de todos os tempos – Jobs foi acima de tudo um sonhador, que seguindo a sua curiosidade e intuição conseguiu se transformar num dos homens mais importantes de toda história mundial, tal qual um dos seus maiores ídolos: o filósofo Sócrates. Em 2004 iniciou sua luta contra um câncer. Sobre a morte disse em 2005, em seu famoso discurso feito aos formandos da universidade: "Mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. E, por outro lado, a morte é um destino do qual todos nós compartilhamos. Ninguém escapa. É a forma como deve ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente da vida. Limpa o velho para dar espaço ao novo."

Então, ao ler as notícias nos jornais da última sexta-feira (7) descubro que um dos principais personagens da cultura cuiabana – Névio Lotufo – com quem tive a honra de dividir alguns momentos em bailes de dança, pesquisas pra faculdade e em eventos culturais, faleceu em virtude de um infarto do miocárdio. Névio foi um cara que viveu intensamente seus 80 anos de vida, dando exemplo de disposição. Fundador da Cruz Vermelha de Mato Grosso. Ele foi o primeiro cineasta de Cuiabá. Era comentador, dançarino, motorista, colecionador de carros, fotógrafo, patinador, jogador, boêmio, empresário... Enfim, uma pessoa com múltiplos talentos que sabia viver a vida.

Após alguns minutos refletindo acerca da vida e da morte, analisando o quão frágeis nos somos, fiquei imaginando como seria o encontro de Jobs e Lotufo no céu... Curioso, não? Uma coisa é certa, o céu não será mais o mesmo com a chegada destes personagens lá. É capaz que Jobs abra uma lan house no céu e Lotufo organize alguns bailes por lá. Tudo isso com a vontade de viver sempre demonstrada por eles.

E pra finalizar deixo o poema “A vida e a Morte”, de autoria de Claudia Souza, que de certa forma, contribui para eu organizar alguns pensamentos conflitantes que começam a surgir...

Corre nas veias,
No brilho de um olhar,
Apenas no som de um respirar
Deslumbra num simples passo...
Num simples conjunto de passos,
Que formam o caminhar...
Num toque,
Num gesto,
Num movimento...
Num batimento ritmado,
De um coração que manifesta sua existência
Tudo isso desapercebidamente
Se passa quando ela existe...
E também não se faz atentar
Mas quando se vai
Tudo fica inanimado
Não há mais o que se vislumbrar
O brilho se vai,
A alegria, o amor, a esperança...
Ficam apenas memórias
Ficam apenas lembranças
Entre a vida e a morte...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Reflexões sobre a Copa –Missão (Im)possível

Tenho analisado criticamente as ações realizadas pelo poder público e pela iniciativa privada, relacionadas à Copa do Mundo de Futebol de 2014, tanto a nível nacional quanto regional e olha, vou te contar hein... Parece que a coisa está feia! Ou como diria o Sargento Xavier, personagem interpretado pelo ator Anderson Di Rizzi na novela Morde e Assopra da Rede Globo, “é osso”.

Em uma conversa com meu irmão mais velho, lembrei-me de uma marchinha de 1958, feita para homenagear a primeira conquista do Brasil, na copa da Suécia. E numa linguagem mais contemporânea – ta na moda, né! – apresento-lhes um trecho da versão que estou preparando e, se Deus quiser, até 2014 terminarei: “A copa do mundo é nossa, com Cuiabá, não há quem possa... Será mesmo, hein?!

Faltando menos de 1 mil dias para o inicio da Copa do Mundo de Futebol de 2014, uma das palavras que mais encontramos com relação ao evento é a palavra “atraso”. Numa rápida busca no google identifiquei mais de 5 milhões de resultados relacionados aos atrasos nas obras necessárias para a viabilização da copa no Brasil. É atraso nos estádios, aeroportos, obras de mobilidade urbana... até a seleção brasileira de futebol está atrasada na sua preparação para a conquista do hexa no Brasil, e a coisa está tão feia que a única coisa que ela tem conquistando são posições decadentes no ranking da FIFA. A última conquista foi a 7ª colocação, na lista publicada no último dia 21 de setembro. Se continuar nesse ritmo só teremos copa aqui em 2050, ano em que será comemorado o centenário do vexame que o Brasil deu na final da copa de 1950, realizada por aqui. E a conquista do hexa?... Melhor nem comentar! Mas como “neztepais” o que vale no final das contas – ou do jogo - é o “jeitinho brasileiro”, talvez a gente consiga realizar o evento, enriquecendo ainda mais algumas dezenas de pessoas.

Então, quando um sopro de esperança e otimismo tenta dominar-me encontro na edição de domingo (25/09) da Folha de São Paulo a manchete de capa “Má gestão coloca em risco o legado da Copa”. A matéria diz que: “Quase quatro anos após o Brasil ser escolhido como sede da Copa de 2014, o governo perdeu o controle do andamento das obras ligadas ao evento e pôs em risco o legado de infraestrutura que ele poderia deixar para o país. Divulgado há 11 dias, o balanço mais recente do governo sobre os projetos da Copa já está desatualizado. Prazos indicados no documento não batem com informações das cidades-sede, e outros soam irreais diante dos problemas que as obras têm enfrentado. Autoridades que acompanham os preparativos para a Copa já falam em organizar os dias de jogos com a estrutura hoje disponível, sem contar com as novas obras. A promessa do governo de entregar nove estádios no final de 2012 também já caiu por terra, com novos atrasos”.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontro o artigo “Em pé de guerra” de Lauro Jardim, publicado em 24 de setembro na Coluna Radar, da revista Veja. Em seu texto, Jardim afirma: “Está muito mais esgarçada do que aparenta a relação entre a FIFA e o governo. No início do mês, Joseph Blatter enviou para Dilma Rousseff uma carta em que reclamava da morosidade das obras da Copa e com a demora de o governo enviar para o Congresso a Lei Geral da Copa (LGC). O Planalto considerou a cobrança “fora de padrão” — é exatamente esse o eufemismo usado, de forma irônica, claro. Dias depois, o governo mandou para a Câmara a LGC. Mas o clima esquentou ainda mais. A FIFA considerou inaceitável o projeto. Feriria o que foi acordado quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa e lhe traria prejuízos comerciais enormes. Meia entrada para estudantes e descontos para maiores de 65 anos no preço dos ingressos são um dos motivos da briga. Só que a própria Dilma diz que “não há a menor possibilidade de restringir direitos existentes no Brasil”. Essa briga promete ir longe. A FIFA para pressionar o governo ameaça até com um plano B, que retiraria a Copa do Brasil. Sabendo disso, os EUA já se movimentam. Nos bastidores os dois lados falam tudo uns dos outros — menos palavras de elogios”.

Pois é, se a nível nacional “ta osso”, imagine a nível regional, onde o sonho da “Copa do Pantanal“ está cada vez mais vivo(?) e a Agecopa teve o seu processo de entropia acelerado com o caso “Brito”, dando origem à Secopa. Além disso, não abordei efetivamente as ações da iniciativa privada, principalmente as do trade turístico, que está numa situação delicada. Mas isso é assunto para outro artigo...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mudando a perspectiva?


 Foi Heráclito, filósofo pré-socrático considerado o pai da dialética que cunhou a frase “Nada é permanente, salvo a mudança”. Estava eu surfando entre centenas de sites e realizando manobras alucinantes para desviar-me da “tentação” dos downloads, compra coletiva, fofoca e afins, tentando realmente encontrar informações relevantes sob o meu ponto de vista, quando encontrei o artigo “Mudando o Mundo” de autoria do Luciano Pires.
Luciano Pires é palestrante, executivo, cartunista, aventureiro, comunicador multimídia, escritor, contador de histórias, jornalista e criador do portal café Brasil, que tem a proposta de reunir “personal trainers” que estimulem as pessoas a praticarem uma espécie de “fitness intelectual” objetivando a “despocotização do Brasil”. Em seu texto Luciano aborda em primeiro plano o tema “perspectiva” fazendo diversas afirmações, digamos... polemicas! chegando a afirmar que mudando a perspectiva, mudamos o mundo. Será?
Para ilustrar o seu artigo ele utilizou-se de uma história que fora contada a ele em outrora, que é mais ou menos assim: “Os pais do moleque, moderninhos, deixavam o filho livre. O demônio quase derrubou meu laptop e uma xícara de café do sujeito que estava na poltrona ao lado. Até que um passageiro perdeu a calma e deu uma descompostura nos pais do garoto. Muito a contragosto os pais prenderam o moleque pelo cinto de segurança na poltrona e o obrigaram a ficar quieto. Então o diabinho começou a chorar, gritar e espernear. O escândalo era pior do que a bagunça pelos corredores, transformando o vôo num inferno. Aumentei o volume do fone de ouvido, mas não adiantou. De repente uma colega que estava sentada à minha frente chamou a aeromoça e lhe disse alguma coisa. A aeromoça deu um sorriso e foi à cabine do piloto. Curioso, perguntei para a colega o que ela havia dito à comissária, e ela respondeu:
- Em vez de tentar resolver o nosso problema, deveríamos resolver o problema da criança.
Minutos depois o co-piloto apareceu no corredor e perguntou para o menino se ele gostaria de pilotar o avião. O diabinho olhou para o pai e para a mãe, sem acreditar no que ouvira. E pronto! Durante quase todo o resto do percurso o garoto ficou na cabine de comando, fingindo que pilotava o avião. E ninguém mais ouviu um pio do pentelhinho.“
Na história acima fica evidente que a moça observou o problema pela perspectiva do moleque, e com isso o resolveu. Previsível? Sinceramente não tenho certeza! 
Continuando a minha busca por informações das últimas semanas relevantes sob o meu ponto de vista, encontro notícias nos jornais, sites mato-grossenses, blogues e outros veículos de comunicação da região que deixam cada vez mais claro que “deste lado da ponte temos um problema; temos um problema deste lado da ponte”. É problema com PAC, saúde, educação, sanecap, segurança pública...
Diante disso, talvez esteja na hora de mudarmos a perspectiva e observarmos as noticias que saíram na mídia regional e até nacional acerca de Cuiabá, sob o ponto de vista dos envolvidos, traçarmos um paralelo com o pensamento de Heráclito citado no inicio deste texto - que já havia dado a dica há centenas de anos - e observarmos que de fato talvez esteja na hora da mudança... Mas não da perspectiva. E sim da gestão!


Edilberto Magalhães – Turismólogo, Produtor Cultural e Blogueiro - e-mail: edilberto.turismologo@hotmail.com
 

segunda-feira, 4 de abril de 2011