terça-feira, 4 de novembro de 2008

O eco dos marginalizados

Ser considerado algo que não somos é ruim. Porém, sempre temos que conviver com esses rótulos infelizes. Eu como um ser quase normal, membro desse circo chamado Brasil, não sou diferente, também tenho meus rótulos. Um deles é: “PlayBoy.”

Pois é, rótulos têm uma interferência direta na nossa vida. Geralmente as crianças sofrem muito com isso. Lembro-me que quando eu era mais novo, era chamado de “nerd.” Cresci com isso na cabeça, e, em alguns momentos da minha vida, fui nerd sim!

Playboy. Numa definição simples, seria um rapaz jovem que tem grana, ou, aparenta ter. [Que acredito ser o meu caso, por mais que eu ache que tenho cara de pobre –e não só cara- rsrsrs].

Ontem, voltando pra casa depois da faculdade, constatei o quanto esses rótulos afetam nossas vidas. Eram quase 23:30 quando desci no ponto perto da minha casa, uma rapaz que, aparentemente, não oferecia risco, me perguntou quantas horas eram, respondi, e segui meu caminho. Quando eu estava a poucos metros da minha casa, o mesmo rapaz me abordou, agora com uma arma, e uma aparência não tão amigável.

- PlayBoy, passa o celular. Apontando a arma para minha barriga, com um olhar de susto, preocupação e prazer.
- Anda logo. Passa, passa logo o celular. “Passei” o celular, com um olhar de raiva, medo e dó [não minha, e sim dele –sou meio estranho, sempre procuro entender os porquês das atitudes alheias]
- Demoro, Vaza, vaza logo e não olha pra trás, corre, não está me ouvindo?! Não questionei, e “vazei”.

Chegando à minha casa minha mãe estava dormindo, meu irmão na internet, e a vida seguia normal, como se nada estivesse acontecido. Preferi não comentar o que tinha acontecido, nada mudaria mesmo.

Fiquei horas refletindo sobre o acontecido, e cheguei a conclusão de que no circo chamado Brasil, o publico que cria, modela, e determina qual o futuro de nós, os “marginalizados sem poder,” mesmo sabendo que, eles são nossos funcionários, sabendo que deveriam criar leis, etc. para um bem geral, preferem priorizar meia dúzia de pessoas que, não tem apenas rótulos.

E o povo? A massa é considerada marginalizada. Mas sabiam que eles têm seus ecos? hum, o eco dos marginalizados. Vou escrever mais sobre isso!

27 comentários:

Publisher Girl disse...

Todo mundo já teve ou tem um rotulozinho. Acho inevitável não ter. É da nossa cultura, da cultura do ser humano rotular o outro. O problema é quando acontece o desrespeito... Aí não dá!

Raoni Frizzo disse...

Cara, a palavra "circo" diz tudo! Tá tudo errado aqui no Brasil. Tudo!

Esse negócio de rotular as pessoas é típico de quem não tem muito conteúdo. As vezes as pessoas são julgadas muito pela aparência. E a segurança das nossas ruas dispensa comentários.

E o "circo" continua seu espetáculo. Nós somos os palhaços...

http://blogonews.blogspot.com/

Percurso do Signo disse...

Hum...

Essa é a consequência de um país que não prima pelo seu povo e sua educação, saúde, lazer, etc...

Espero que tenha superado esse momento... Boa visão a sua. Lembro-me que quando fui assaltada, eu só conseguia sentir ódio dos assaltantes...

Espero o novo texto...

Markinhos Wylde Hammett disse...

éé´rotulo e fods ja fui chamado de nerd de ateu de tudo que ja pode imaginar
kkkkkkkk

aeeee

http://sorockeiros.blogspot.com/

slim shady disse...

perdeu playboy.

Na verdade,esse tipo de coisa ta tão banalizada,que daqui pouco vamos achar anormal sair de casa e não ser assaltado.

Gabriela disse...

Oi!
Muito interessante sua abordagem. Fico feliz por vc ter saído ileso dessa situação, pois muitos perdem a vida por causa de um simples celular ou relógio, até mesmo alguns trocados. Esse é o Brasil!!! Não apenas o país dos rótulos, mas também das injustiças, desigualdades, inseguranças. Não podemos caminhar tranquilos por nossas ruas, temos sempre que ficar com um pé atrás. Com tudo? Com todos? Até quando?

Gostei do texto e da forma como o conduziu.

Abraço.

Rataria disse...

pré-conceitos,po as pessoas na maioria das vezes nem nos conhecem e ja nos julgam ai quando nos conhecem veem que nao somos nada do que elas pensavam!!

Achei de responsa o seu Post!!

Marcos Costa Melo disse...

Lamento pelo que ocorreu com você. Também já passei por experiência semelhante e não foi nada agradável.

Escreva mais sobre o assunto, mas não caia na tentação fácil de "compreender" as razões do assaltante e, no final das contas, achar que o culpado é você!

abs

Michell Niero disse...

Quando o consumo toma lugar da política temos então o que você sentiu na pele. O ladrão pensa "se existe consumo pra ele, o playboy, também deve existir para mim". E ele vai buscar equiparar essa balança da maneira menos adequada, com violência.

E o que fazemos para mudar este quadro? Fundamos um blog para reclamar de tudo.

Tânia Mara disse...

Interessante esse assunto, e realmente dá margem à mais.
Abroda sim.
Quanto aos rótulos. Somos duas pessoas, a que somos no nosso íntimo e a que somos pelos olhos alheios. Vivemos em sociedade e as aparências enganam também, mas não deixamos de ser o que veem.

Quanto ao circo. Nós somos os atuantes e somos a platéia também. Nós somos os responsáveis por isso, ou por falar demais ou por omitir nossa opinião por ser adversa.
O circo vai acabar quando não houver mais ninguém para atuar, quando não houver mais platéia.

Dalmir Júnior disse...

Triste, porém real!

O Blog serve para isso mesmo! Quem nunca passou por situações assim?

Um misto de revolta, com a realidade de mãos atadas! O que fazer? A quem recorrer?

Descarregamos em palavras, e pensamos e repensamos em ações para acabar com isso.... mas.... mas... enfim, tocar a vida!

parabéns pela postagem!

blog disse...

Lamentável o ocorrido, mas gostaria de ver vc desenvolver mais o tema.
Estarei por perto para conferir.
Abraço.

greatdj disse...

Somos uma nação de marginalizados.
Sempre estamos a margem de algo, com falta de, seja de dinheiro, cultura, política ou qualquer assunto no Brasil.
Desde a colonização o país só aceitou o que acontecia consigo, deu nisso.
Já fui assaltado tbm, só que o meu ladrão não tinha arma. Nem nada.
Quanto ao parecer ser rico, são os esteriótipos: seu tênis não está rasgado, a roupa tá limpa, barba feita e não tá descabelado. Logo você é rico.

Fernando Gomes disse...

E como essas porcarias de rótulos ferram com a nossa vida.

Gostei dos seus pontos de vista e aguardarei seus próximos textos sobre o assunto.

ótimo post.

Miss K disse...

Olha Dudu já nem sewi mais o q dizer sobre esse assunto...já cansei de berrar, então acho que cada um fazendo sua parte por mais que seja pouco um dia melhora...e quanto a essas pessoas 'inofensivas' acredito q uma hora elas pagam pelo que fazem...

30 e poucos anos. disse...

No relativo do ladrão, vc é playboy....no relativo de um playboy real, vc é um nerd...depende dos pontos de vista.
Claro que nada tem com a insegurança do nosso país, mas os marginais acham que tirar um celular de um "playboy" não vai fazer falta.

rohit disse...

muittttttttto lindooo...
http://wallyvillage.blogspot.com/

Poquiviqui disse...

Cara, otimo texto! Vou parar para ler outros!
Essa historia de rotulo me lembra outro dia um colega meu que foi assaltado. Quando o bandido tava pegando o dinheiro, com a arma apontada por debaixo da blusa meu amigo solta: "Po cara, tanto playboy aí vc vai assaltar logo eu que não sou!"
Rótulo é rótulo... =)

Michel Domenech disse...

Excelente o texto.
cara, sinto pelo teu celular, isso é reflexo da violência, se tu parecesse com um emo ou com um nerd e tivesse com o celular, ele te roubaria da mesma forma. Quanto aos rótulos, isso limita as pessoas, emo não pode ouvir metal, por exemplo, então quase nenhum ouve, nerd não pode tal coisa, aí quase todos se dedicam a não fazer aquilo, bom é experimentar tudo e ver o que agrada, não se prender em um rótulo. Um abraço, gostei do teu blog.

bob.loco Ah ViDa Eh lOcA mAnO!!! disse...

pois eh
minha cidade é pequena e por sorte nunca fui assaltado

mas essa de perguntar as horas é velha, ja vi mta gente contando que foi assaltada assim

Alisson disse...

Um eco dos marginalizados para os manda-chuva do "circo" seria ouvir um "passa a grana preibói!" ao descer de seus carros de luxo( ou quando sairem do planalto). Não que eu deseje isso, só ando meio sem paciência com os verdadeiros playbos da nação.

té mais!

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www.dacordasuapaz.blogspot.com
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R4M1R9 disse...

Avé Maria, esses textos dá uma dor de ler, faz um menorzin aí cara, muitas pessoas nel ler todo, ja eu so lí a metade pq toh ocupadaão mais depois volto pra ler o resto ja que não entendí por completo...


Tbm tente aumentar as cores e a personalização do seu blog, ficaria mais atraente e chamativo!

Visita?
http://temasnarcross.blogspot.com/

Don Romero disse...

gsotei do seu texto... parabens

Daniel disse...

É Dudu, coisas ruins cantecem conosco também, mas a vida tem que seguir seu curso...

Quanto ao rótilos que recebemos ao longo da vida, tmabém não concordo, mas as pessoas no rotolam mesmo, e nem sempre certo rótulo é totalmente sem fundamento

http://daniel.a.s.zip.net

Leo Pinheiro disse...

Cara, podia filosofar, mas...

Vou vou ser bem prático, sob um aspecto específico de seu txt. 'Playboy passa o cele e vaza é o caralho'. è isso que eu sempre fala (se estiverem desarmados).

Eu venho do cú do mundo (como diria Jazão, por Chico Buarque), e hj só pq eu moro bem, sou branco e bonitinho, não vou aceitar essas duas agressões o roubo e a desmoralização.

Se vc tiver atitude, esses pivetes bundões vão roer a corda.

Por favor, desconsidere essa 'dica' se vc notar alguém armado!

Leonardo Dognani disse...

putz!
o problema é que esses bandidinhos são a prova de que as pessoas são fracas, e embora mereçam chances, devem pagar pela fraqueza.
parece cruel, mas não é. Aprender pelo peso dos próprios atos é a base para entendê-los numa concepção melhor do que simplesmente causa e efeito.

Os governantes são mmarginais com dinheiro e influencias, e os da rua são a mesma coisa, só que sem dinheiro e sem influencia.

=/

Acredito que nós, tb somos marginalizados, seja em qualquer área da vida(estética, som, conceitos, etc).
E é isso que nos faz diferentes?
não! são as atitudes^^

abraços.

PS: sinto muito pelo seu celular T.T tb já roubaram o meu...um garoto de uns 7 anos acompanhado pelo irmão de uns 12 ou 13 com uma pistola. T.T

Homenzinho de Barba Mal feita disse...

É foda ser roubado. Eu apesar de morar em Sampa, nunca fui assaltado, mas deve ser uma sensação de total revolta, pelo fato do cara ser um "coitado", pois, ele vai trocar por algumas gramas de cocaina ou algo do genêro.
Tudo começa pelaeducação de um povo, quando o Polé falou à 20 anos atrás, para o governo educar as crianças pois eles seriam os marginais de amanhã, todo mundo foi contra dizendo que ele não era brasileiro, pois via o Brasil marginalizado.
O amanhã do Pelé é o nosso hoje, e as crianças ~de ontem, são os bandidos que roubam celular para sustentar seu vicío.

http://hdebarbamalfeita.blogspot.com/