terça-feira, 18 de novembro de 2008

Apartheid

Quero viver meu mundinho feliz, onde tinha uma árvore no quintal de casa, um cachorro para brincar, uma família contente, comida na mesa e uma escrava negra para dar chicotadas. Algum problema? Isso era muito comum até o imperialismo. Hoje eu até aceito um escravo moreno ou mulato. É porque eu sou muito bonzinho.

De tempos em tempos, muita coisa muda, às vezes, para melhor. Ou nem tanto. Já se foi a época em que podia culpar a escravidão pelo fracasso dos negros. Tem muito cantor negro por aí que se deu muito bem. De início temos Chuck Berry, o roqueiro dos anos 50 que começou a fazer rock antes mesmo de Elvis. Ou Aretha Franklin, diva do soul.

Aliás, sempre tento entender uma coisa: existe som de negro ou é tudo um estereótipo criado? Eu posso cantar reggae, funk, rap, hip hop, soul, jazz ou deixo isso para quem tem mais melanina na pelo do que eu? Convenhamos que cor não se faz mais cantor. Tem muito “branquelo” aí cantando ritmos criados em negra, posso citar o Bonde do Role, Beastie Boys, Eminem e todos os roqueiros do mundo, já que o estilo nasceu nas periferias americanas.

Da mesma forma que a cultura negra foi “invadida”, a branca também. Na década de 50 só se aceitavam cantores pop de cor branca, agora temos pessoas como Santogold, Michael Jackson (no início de carreira, agora não conta.), Mariah Carey, Beyonce, Rihanna e outros artistas.

Segregação racial definitivamente não faz mais parte do contexto de um mundo moderno. Não faz mais parte do mercado fonográfico moderno. Não faz parte mais de mim. Eu ainda quero o meu mundinho feliz, onde tinha uma árvore no quintal de casa, um cachorro para brincar, uma família contente, comida na mesa e uma escrava branca para dar chicotadas.


7 comentários:

Wander Veroni disse...

Oi, Mateus!

A segregação racial foi um lado triste da história. Claro, hoje negros, índios, asiáticos, e afins, já conseguiram muita inclusão, mas ainda falta um abismo de diferença, pq o racismo no Brasil está ligado ao fator econômico e a aparência. Obesos, magros, banguelas, dentuços, nerds, ignorantes, pessoas com espinha, sempre tem algum mala querendo rotular alguém e colocar um estereótipo, um rótulo. Só mesmo o exercício do respeito e da educação acabará com isso.


Abraço,

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

Tiago Sant'Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago Sant'Ana disse...

"Convenhamos que cor não se faz mais cantor."

Será?

"Da mesma forma que a cultura negra foi 'invadida', a branca também."

Foi mesmo? O que você entende como "cultura"? Só a música?

"Segregação racial definitivamente não faz mais parte do contexto de um mundo moderno."

Era pra rir?

"[...]escrava branca para dar chicotadas."

Ah! Então a onda é substituir uma ditadura por outra? Boa!

Definitivamente, está na hora de você rever seus conceitos!
Fico até triste quando vejo textos desse jeito. Uma postagem no dia da consciencia negra, mas que tem uma autor que me parece acreditar nessa falsa democracia racial que a Globo prega em suas novelas e telejornais. Eu posso até tá equivocado - afinal de contas eu não conheço o autor do texto - mas fazendo uma analise do conteudo desse texto foi o que me pareceu.
Primeiro que se o texto foi para "ilustrar" o dia da consciencia negra, ele está equivocada. O dia é da consciencia negra - um dia reservado para a exaltação, admiração e revisão de conceitos a cultura negra. Uma cultura que sempre foi marginalizada - e que continua sendo. É romantismo dizer que o apartheid social acabou ou coisa do tipo.
Acho engraçado como justamente nesse dia, as pessoas queiram falar de igualdade. Todos os dias deveriam falar de igualdade, mas justamente num dia direcionado ao negro, por que não falar dele e querer falar das outras etnias?
Pronto! Falei! Mais um desabado do que um comentário!


Tiago Sant'Ana
www.jornalistadepeso.blogspot.com

greatdj disse...

Tiago.
Cor realmente faz um cantor?
Temos tantas provas de ótimos cantores negros que tem um talente inigualável.
Não entendo de cultura só como música, muito pelo contrário, cultura ampla.
E toda foi miscigenada.
Não temos mais uma linha que divide, isso é para negros, isso é para brancos.
E se você não perceber, usar escravas brancas foi para ilustrar que não vivemos em um mundo dominado pela cultura européia e muitas vezes, a cultura negra domina a branca.
Era uma metáfora.
E em relação a exaltar a consciência negra, é uma forma de exaltação sim.
Exalto o que o povo negro adquiriu até hoje, desde o processo de libertação da escravidão, desde a situação de miséria da África até o Barack Obama, nos dias de hoje, muita coisa mudou. A cultura negra mudou, a música negra mudou.
Eu quis mostrar que o mundo está igual, pelo menos na música.
Que tem cantores negros cantando música que antes só branco cantava.
E não estou exagerando ao dizer que só branco cantava, porque até a década de cinquenta negro era excluído da sociedade, tanto norte-americana, quanto brasileira.
Acho que continuarei com meu ponto de vista, afinal a visão é contrária.

Tiago Sant'Ana disse...

Tá bão!
As vezes usamos ironias e metáforas em assuntos que não são cabíveis! O assunto que descreveu é um deles!

greatdj disse...

Desculpas qualquer coisa.
Mas não consigo deixar de usar estilos literários em qualquer assunto.
O lirismo me fascina...

DuDu Magalhães disse...

Fantástico!

Demonstrou o quanto a mediocridade ainda se
faz presente na nossa sociedade. Penso que há muita gente com talento, porém, a cor atrapalha algumas vezes. Pelo menos aqui no meu estado, quem não é branco ou rico, dificilmente faz sucesso musical.