sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A acepção das palavras

Todos os dias fazemos uso das palavras como um instrumento de comunicação “fácil” e quase sempre com os sentidos sossegados. Como se sempre estivessem com seus fluxos claros e prontos para nós.

No entanto se as palavras nos aparecessem sempre prontas e com uma única definição e objetividade. Não sei se seria possível haver as poesias, as controvérsias, o duplo sentido, a mentira e tantos outros artifícios e artimanhas que faz com que seja plausível a apresentação da arte e de outras manifestações com maior expressividade.

Falando (escrevendo) de arte, me lembro de ter lido em Fernando Pessoa (Autopsicografia) “O poeta é um fingidor / Fingi tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor deveras sente”. O artista por intermédio das palavras consegue expressar “A ferida que dói e não se sente”.

É nesse contexto que o poeta, artista de forma geral consegue fazer algo fascinante que eu prefiro classificar como uma fantástica brincadeira. A brincadeira com as palavras. Ora brinca que sente dor sem sentir, ora brinca que sente alegria sem sentir; Este o palhaço faz com tanta propriedade.

Somente para uma contextualização vou fazer uso do mesmo exemplo que Marilena Chauí dá sobre isso em seu livro convite à filosofia.

Na tragédia Otelo de Shakespeare. O mouro Otelo apaixonado perdidamente por sua jovem esposa Desdêmona, acaba por assassiná-la porque foi convencido por Iago de que ela o traía. Iago, invejoso dos cargos que Otelo daria a outro membro de sua corte inventou a traição de Desdêmona, mentiu para Otelo e este tomando a mentira pela verdade destruiu a pessoa amada, que morreu afirmando sua inocência. Para construir a mentira. Iago despertou em Otelo o ciúme caluniando Desdêmona. Usou várias armadilhas, mas sobretudo usou a linguagem, isto é, palavras falsas que envenenaram o espírito de Otelo.

Essa postagem ficou um pouco grande, mas acredito que esteja simples como sempre procuro escrever. Gostaria de parabenizar todos os blogueiros que conseguem “brincar com as palavras” alguns que tenho acompanho e sentido uma melhora em seus textos significantemente.

E até sexta que vem se Deus quiser, e um ótimo final de semana para todos

Por Pedro Junior

17 comentários:

iti disse...

a sempre uma criação das palavras, a população é a grande brincalhona, fica jogando palavras sem sentido...

massa a postagem

http://500x100.blogspot.com/

verossimel disse...

Muito bom o post
parabens

Alice Daniel disse...

Realmente, brincar com as palavras é sentir todas as emoções brotando num jogo sem fim.
Como eu digo num poetrix meu: E quem disse que eu sou poeta?/ eu sou é explosão/pura emoção/alma quieta!

Sérgio Playmobill disse...

ótimo post.

Playmobill disse...

muito bom seu post.

Airton disse...

eaee caraa
vlww pelo seu coment nu meu...o seu blog ta legal...e essa postagem tbm....inteligente

http://publicandobr.blogspot.com/

Michell Niero disse...

Não há dúvidas de que em nosso dia a dia reduzimos a riqueza das palavras. É uma arte indomável mexer com as palavras para que elas gerem algum tipo de inquietação. Uma arte cada vez mais necessária e que, conforme Umberto Eco, vem sendo resgatada com a internet.

Gisela Melloso disse...

Olha vc tb consegue brincar com as palavras, Parabéns, muito bom seu post!!!
Parabéns pelo blog!!

Abraço forte
www.grupomaos.com

Flá Romani disse...

Caramba, realmente as palavras nos fazem viajar....

muito bom o post

rosangela disse...

A palavra tem muito poder .. ela bem dita faz calmar o corção, alegrar .. etc.. etc.. mas ela tb tem o poder de "derrubar" uma pessoa..

Adorei o post .. parabéns..

Abç.

Ana disse...

as palavras e suas artimanhas!
adorei o texto


parabéns pelo blog
até mais

blog disse...

É isso aí, Pedro.
Nada temos a temer, exceto as palavras.
Só um toque: em "Hora brinca que sente dor sem sentir, hora brinca que sente alegria sem sentir (...)", a palavra "ora" é conjunção, e não tem agá, ok?

Sei que foi um cochilo.
Abraço.

Edu França disse...

Ficou grande não, ficou o bom o texto, as palavras são para brincar mesmo!

Fernanda disse...

Concordo plenissimamente, as palavras podem e devem ser brinquedos. São feitas para brincar entre si, e o melhor é quando o autor as deixa fazer amor entre si. Nascem assim os textos mais deliciosos. Beijos e sucesso!

marceloclash disse...

Devemos tomar sempre cuidado com o que dizemos. As palavras são armas e as vezes machucam mais que uma arma de fogo.

http://papodomarcelo.blogspot.com/

Arthur Santana disse...

q testo bom, cara!!
parabéns!

--
www.moolegal.wordpress.com

Fábio Flora disse...

Por falar em palavras e no sentido delas, hoje eu tentava explicar para os meus alunos um texto. Falei, falei, falei. E, no final da aula, um danado se aproximou de mim e disse que não tinha entendido nada. Por quê? Porque, segundo ele, eu não tinha falado português! Homessa!