sábado, 10 de maio de 2008

Crianças...

por: Tania Montandon

Sentada na calçada, descalça e esfregando os olhos com as mãos sujas de terra, chorava, chorava, chorava por horas a fio a garotinha que parecia ter por volta de cinco anos de idade. Não, não era uma criança abandonada, espancada ou perdida. Estava bem em frente a sua casa e deixando os irmãos, pai, mãe, tios, primos, desorientados sem saber o que tinha acontecido e já tinha passado um bom tempo e nada da menina se cansar do choro sentido. É verdade também que a pequena já era famosa nessa área de manhas e choros. Então uma tia, a mais impaciente, andando de um lado para o outro da casa, decidiu que resolveria a situação. Sua testa não parava de suar de tanto caminhar pra lá e pra cá. Nessa época os refrigerantes e chocolates eram um luxo muito raro e somente oferecido em ocasiões especiais. Porém, essa tia impaciente trabalhava na fábrica de guaranás e sempre tinha prestígio com a garotada porque ela que distribuía os doces e refrigerantes nos aniversários e demais festas. Nesse dia, por impulso e contrariando as regras, pegou um guaraná pequeno, furou a tampa lavada, enfiou um canudinho e levou pra menininha chorando. A garota na mesma hora parou de chorar, soluçou, pegou a geladinha guaraná agradeceu e começou a beber. Ufa!!! Todos, antes contrariados, deram os parabéns para a sabida tia e até as outras crianças nem ficaram com ciúmes pedindo pra elas também, tamanho era o estresse geral na casa. Todos voltaram a rir, conversar e esperavam que ao terminar o refrigerante ela estaria de volta dentro de casa. Para a surpresa geral, a molequinha terminou calmamente seu guaraná, colocou-o ao lado com cuidado para deixar a garrafa em pé, lambeu os beiços e disparou a chorar mais alto que antes. Pronto! A confusão dentro da casa recomecou, uns queriam ir lá gritar e mandar calar a boca, mas a maioria não deixou, afinal era uma criancinha pequena e claro que tinha suas razões pra tanta choradeira. Como o tempo não passava, os ponteiros do relógio pareciam congelados e os berros não diminuiram, o jeito foi usar a arma infalível, a carta que sempre se tem por baixo das mangas para emergências como essa. Foi a vez da tia mais adorada da criançada, porque ela era muito compreensiva, paciente e tinha muito carisma. Sentou-se ao lado da menina, tentou um cafuné e quase caiu pra trás com a altura que o berro chegou. Tudo bem, resolveu conversar. Puxa, você deve estar sentindo muita dor, coitadinha da sobrinha mais linda da titia. Quem ou o que foi que fez essa barbaridade com a minha princesa? Por que você está chorando? A menininha fez uma cara meio assustada, engoliu o choro, soluçando e com a face lambuzada de lágrimas, suor, terra e guaraná e foi se acalmando. Então, ainda soluçando alto, olhou para a tia e disse: nã...glup...o...n~.glupão..glup...não...glup..s..glup...seglup...sei..glup

^^

11 comentários:

Menina chorona disse...

Em cada homenagem recebida, normalmente eu choro de emoção. Hoje, a emoção se manifestou em forma de risos e nostalgia pois me vi "transportada" até aquela "garotinha" tão amada e tão chorona...
Quisera eu ter a facilidade que você tem, Tania, de retratar fatos corriqueiros de uma maneira tão simples, bonita e correta. Parabens pelo texto! E obrigada pela homenagem e por me fazer sorrir tambem! "GAROTINHA CHORONA"

filho da menina chorona disse...

Eu não conheci a chorona quando ela era menina, mas o choro famoso eu conheço bem. Achei ótimo o texto para eu conhecer essa história que ainda não conhecia. E claro, entender a origem do tão famoso choro! Quando perguntada pela tia ela não sabia o motivo, mas as vezes que eu presenciei sempre tinha um motivo: a emoção que toca seu lindo coração. Põe emoção nisso, hein... dava pra encher algumas piscinas olímpicas, só as vezes que eu presenciei!

menina chorona (de novo) disse...

Seu texto me fez lembrar das tias, do tio Paulo e de minhas irmãs pois cada uma delas certamente se sentirá "transportada" tambem para junto daquela "garotinha" e daquela casa tão feliz!Bons tempos, aqueles (apesar dos choros intermináveis...)!

DuDu Magalhães disse...

hudahdauhdhuauhdahudhauda

Garotinha chata hem! xD^~


... E suas lágrimas vão leva-lá ao céu!

ED CAVALCANTE disse...

PARA COMENTAR COM MAIS PROPRIEDADE EU DEVERIA CONHECER A FUNDO A HISTÓRIA DA TAL MENININHA. KKKKKKKKK FIQUEI MEIO PERDIDO, MAS EM TODO CASO, É SEMPRE BOM FALAR DE CRIANÇAS, MESMO AS CHORONAS! KKKKK

Luana disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Que sapeeecaaaa!
Uma graça seu conto! ^^
Seria você quandoc criança?
hehe :)

Anônimo disse...

uertrtwsab, td mundo sempre acaba tendo um lado assim, neh msmo??? apesr d ele nem sempre fikar em evidencia........ manha, charme, melindre.... eh smpre bom q essa crinça surj d vez em quando, mas eh bom tbm saber a hora d coloc-la p fora, ou seja, quando tiver alguem p satisfzr tdos esses caprichos, rsrsrsrs..


t adoro

Blog de Ralph Vanelli disse...

Oi Tânia visitando seu blog :-)
E gostando dele vc escreve bem :-)

M3g disse...

ahh que atire a primeira pedra quem nunca atacou de menina chorona, quem nunca chorou chorou até cansar, dizem até que lava a alma, eu infelizmente, diante de situações extremas como enterro, ou algo muito trágico, disparo na gargalhada ao invés de chorar, faz parte do meu sistema nervoso, e acredite ja passei por cada sufoco por conta disso...

Bruna disse...

Ora, ora feliz história sobre a garotinha...
Que bom era gritar quando pequena e conseguir chamar atenção sem nem se importar com o que os outros pensam, agora quando grandes nós calamos a boca para não sermos condenados.
É saudades desses tempos.
A vida poderia ser ao contrário como diz Charles Chaplim.

Bruna disse...

putz... Eu sempre esqueço do link