quinta-feira, 29 de março de 2012

O que você vai fazer com as suas ideias?

Foi o engenheiro e escritor Joel Spolks que cunhou a frase: “ideias não valem muito; é a execução das ideias que tem valor”.

Tenho alguns amigos que, principalmente no começo do ano, vêm conversar comigo sobre as suas ideias para o ano que acabará de começar. Geralmente as escuto atentamente, e ao final da conversa faço o seguinte questionamento: mas afinal, o que você vai fazer com as suas ideias? A resposta quase sempre é: “vou colocá-las em prática”. Então questiono novamente: “e como você fará isso?” E é aí que a porca torce o rabo!

É perceptível que poucos desses meus amigos sabem como colocar as suas ideias em prática. De modo geral a vontade existe, mas muitos esbarram no chamado princípio da inércia. Àquele, desenvolvido por Isaac Newton em 1687, que afirma que: “todo corpo contínua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele”. Ao começarem a descobrir que colocar uma ideia em prática é um tanto quanto complexo, a maioria desses meus amigos prefere não sair da zona de conforto e ficar procrastinando.

Bom, se de alguma forma você se identifica com um desses meus amigos, é importante compreender, a princípio, que uma das formas mais eficazes de conseguir o que você quer é saber o que você, realmente, quer. E quanto mais claros são seus objetivos, mas rápido manifestam-se as conquistas. Então, o primeiro passo é descobrir se você realmente quer colocar essa ideia em pratica. Uma vez descoberto, é necessário agir! Para isso, apresento-lhes o texto “Pequenas regras para ação”, traduzido por Leo Babauta do original “The Little Rules of Action”.

1. Não pense demais: Geralmente, se você pensa demais, fica girando em círculos, ou seja, sem agir. Pensar um pouco é bom – ter uma boa noção de onde está indo e o porquê – mas não pense demais. Apenas faça.

2. Comece logo: Todo o planejamento do mundo não te levará a nenhum lugar. Você precisa dar o primeiro passo, não importa o quão pequeno ou instável seja. Minha regra para me motivar a correr é: colocar o tênis e passar pela porta de casa. O resto acontece naturalmente.

3. Esqueça perfeição: Perfeccionismo é o inimigo da ação. Mate-o, imediatamente! Não deixe a perfeição o impedir de fazer algo. Você pode tornar um péssimo rascunho em algo bom, mas você não pode tornar bom algo que não existe. Então vá em frente.

4. Não confunda movimento com ação: Engano comum. Não ter tempo para nada não significa que você está fazendo algo. Quando você perceber que está se movendo muito rápido, fazendo muitas coisas de uma vez só, é um bom sinal pra parar. Diminua a velocidade e concentre-se.

5. Concentre-se no que é importante: Livre-se das distrações. Pegue a coisa mais importante que você precisa fazer hoje e concentre-se nisso. Quando você tiver feito isso, repita o processo.

6. Devagar e conscientemente: Aja deliberadamente. Ações não precisam ser rápidas. Na verdade, isso geralmente leva a falhas, e embora perfeição não seja de fato necessária, cometer muitas falhas que podiam ser evitadas com um pouco de atenção também não é.

7. Dê passos pequenos: Colocar na boca mais do que você consegue mastigar leva à inatividade. Talvez porque você se engasgue. Não sei. Mas pequenos passos sempre funcionam. Pequenos buracos que irão eventualmente fazer o prédio ruir. E cada passo é uma vitória, que irá lhe levar às vitórias seguintes.

8. Pensamento negativo leva a lugar nenhum: Sério, pare de fazer isso. Acha que não é capaz? Tem vontade de desistir? Diz pra si mesmo que é normal se distrair e que pode terminar depois sem problemas? Mande esses pensamentos pra longe. Bem…. ok… você pode se distrair um pouco, mas você entendeu. Pensamento positivo (e o quão cafona isso possa parecer) realmente funciona. É papo de você consigo mesmo. O engraçado é que as coisas que dizemos para nós mesmos têm o curioso hábito de virar realidade.

9. Reunião não é ação: Este é um erro comum de gestão. Eles fazem reuniões para fazer as coisas. Reuniões, infelizmente, quase sempre ficam no meio da ação em si, atrapalhando.

10. Conversar (geralmente) não é agir: Ao menos que a ação que você precisa fazer seja uma apresentação, palestra ou algo do tipo. Ou você seja um apresentador de TV. Geralmente, conversa é só conversa. Comunicação é necessária, mas não a confunda com ação de verdade

11. Planejar não é agir: Claro, você precisa de um plano. Faça e então estará ciente do que está fazendo. Mas faça rápido e ponha em prática o mais rápido ainda.

12. Ler não é agir: Você está lendo um artigo sobre ação, que irônico, eu sei. Mas que este seja o último. Agora vá trabalhar!

13. Às vezes, não agir é melhor: Esta pode ser a mais irônica coisa nesta lista, mas sério, se você achar que só está gastando cartucho ou que está se prejudicando mais do que ajudando. Repense se esta ação é realmente necessária. Ou melhor, se fazer isso desde o começo é necessário. Apenas faça se for.

terça-feira, 20 de março de 2012

O Sarau

Foi a cantora e compositora paraibana Renata Arruda que disse: “Fazer da vida um pesadelo é a arte de muitos. Fazer dela um nada é a arte da maioria. E fazer dela um sonho é a arte do artista”.

Estive na semana passada no sarau em homenagem ao dia nacional da poesia e ao poeta Antônio Sodré. O evento foi realizado pela Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso e produzido por Luciene Carvalho e Eduardo Ferreira. O sarau faz parte das atividades em comemoração ao centenário da Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça e teve como palco a galeria de artes da SEC.

Poesia é uma forma de se expressar e transmitir sentimentos, emoções e pensamentos. Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico. Segundo Manuel Pires de Almeida (1597-1655): "poesia, segundo o modo de falar comum, quer dizer duas coisas. A arte, que a ensina, e a obra feita com a arte; a arte é a poesia, a obra poema, o poeta o artífice."

Antônio Sodré, mais conhecido como Sodrezinho, é um dos personagens mais representativos da cultura mato-grossense. Natural de Juscimeira‑MT, mudou-se para Cuiabá no final da década de 70, época que iniciou a escrever poemas, e ingressou na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no curso de história no início dos anos 80, depois de letras e posteriormente música. Sodré gostava de denominar-se “el poeta de la transmutación y de la trancedencia!”. Das diversas ações culturais que esteve envolvido, podemos citar o projeto de poesia nas escolas “Poesia Necessária”, do qual foi o idealizador.

Bom, fiquei sabendo do evento através da minha namorada e confesso que, a princípio, não quis ir. Mas, após avaliar alguns fatores, resolvi “ComerArte”. Chegando à galeria percebi que várias vidas se apresentaram diante de mim e a perfeita harmonia entre a arquitetura do espaço, poemas, desenhos, livros, audiovisual, pessoas, passos, organização, sonhos... deixou-me claro mais uma vez como a sensibilidade pode mudar a realidade e fazer com que a nossa mente ganhe outras dimensões, tornando-nos não apenas “meros receptores de arte”, mas sim parte fundamental da arte. Arte esta tão difundida por Sodré, cantada por Capilé, versada por Carvalho, capturada por Sypozs e atualmente tão fomentada pelo “Dom”, da Magna Domingos, a frente do Pavilhão das Artes e do Intercambio Cultural.

O Sarau foi fantástico e contou com a participação de artistas de diversos segmentos – assumidos ou não, mas artistas na essência –. Um dos elementos que poderiam comprometer o evento: o barulho dos carros na rua que entrava pela porta, não atrapalhou a maravilhosa experiência artística que quem estava presente pode ter. Muito pelo contrário, o barulho mesclou-se ao clima da galeria e tornou-se parte quase essencial do evento, diria eu que até deu um certo chame.

Eventos como esses são fundamentais para praticarmos o fitness intelectual, que parece-me cada vez mais raro nesses tempos de atrofia mental, mentiras simbólicas e estresse ideológico. Sai de lá inspirado e percebendo que não há apenas uma luz no fim do túnel: há um trem-bala que nos fará chegar o quanto antes nessa luz, que já podemos dizer: está quase no início do túnel. Resolvi ir caminhando para casa e refletindo acerca do que eu tinha visto e sentido, quando fui “pego de assalto” por alguns carros com o som “no doze”, cerveja, loiras e morenas gostosas, pagode e funk de qualidade duvidosa... Foi ai que eu percebi que já estava de volta ao país da contradição, onde podemos ir do céu ao inferno em poucos segundos, sem nem passarmos pelo planeta terra. Foi assim que me senti.

Bom, certamente haverá outros sarais, como também certamente haverá outros carros com o som “no doze”, cerveja, loiras e morenas gostosas, pagode e funk de qualidade duvidosa... Acredito, sinceramente, que há uma grande probabilidade da segunda opção ter o seu processo de entropia acelerado, mas o sarau estará lá, para poucos, mas estará lá!

Pé-de-verso

Uma folha branca:
Pede um verso meu!

Uma rosa branca:
Pede um verso meu!

Uma pauta em branco:
Pede um verso meu!

Uma árvore torta:
Pé de um verso meu!

Antônio Sodré - In: "A Besta Poética"

Edilberto Magalhães: Blogueiro, Turismólogo, Produtor Cultural, Organizador de Eventos e Cerimonial – edilbertomagalhaes@gmail.com

O Sarau

Foi a cantora e compositora paraibana Renata Arruda que disse: “Fazer da vida um pesadelo é a arte de muitos. Fazer dela um nada é a arte da maioria. E fazer dela um sonho é a arte do artista”.

Estive na semana passada no sarau em homenagem ao dia nacional da poesia e ao poeta Antônio Sodré. O evento foi realizado pela Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso e produzido por Luciene Carvalho e Eduardo Ferreira. O sarau faz parte das atividades em comemoração ao centenário da Biblioteca Estadual Estevão de Mendonça e teve como palco a galeria de artes da SEC.

Poesia é uma forma de se expressar e transmitir sentimentos, emoções e pensamentos. Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico. Segundo Manuel Pires de Almeida (1597-1655): "poesia, segundo o modo de falar comum, quer dizer duas coisas. A arte, que a ensina, e a obra feita com a arte; a arte é a poesia, a obra poema, o poeta o artífice."

Antônio Sodré, mais conhecido como Sodrezinho, é um dos personagens mais representativos da cultura mato-grossense. Natural de Juscimeira‑MT, mudou-se para Cuiabá no final da década de 70, época que iniciou a escrever poemas, e ingressou na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no curso de história no início dos anos 80, depois de letras e posteriormente música. Sodré gostava de denominar-se “el poeta de la transmutación y de la trancedencia!”. Das diversas ações culturais que esteve envolvido, podemos citar o projeto de poesia nas escolas “Poesia Necessária”, do qual foi o idealizador.

Bom, fiquei sabendo do evento através da minha namorada e confesso que, a princípio, não quis ir. Mas, após avaliar alguns fatores, resolvi “ComerArte”. Chegando à galeria percebi que várias vidas se apresentaram diante de mim e a perfeita harmonia entre a arquitetura do espaço, poemas, desenhos, livros, audiovisual, pessoas, passos, organização, sonhos... deixou-me claro mais uma vez como a sensibilidade pode mudar a realidade e fazer com que a nossa mente ganhe outras dimensões, tornando-nos não apenas “meros receptores de arte”, mas sim parte fundamental da arte. Arte esta tão difundida por Sodré, cantada por Capilé, versada por Carvalho, capturada por Sypozs e atualmente tão fomentada pelo “Dom”, da Magna Domingos, a frente do Pavilhão das Artes e do Intercambio Cultural.

O Sarau foi fantástico e contou com a participação de artistas de diversos segmentos – assumidos ou não, mas artistas na essência –. Um dos elementos que poderiam comprometer o evento: o barulho dos carros na rua que entrava pela porta, não atrapalhou a maravilhosa experiência artística que quem estava presente pode ter. Muito pelo contrário, o barulho mesclou-se ao clima da galeria e tornou-se parte quase essencial do evento, diria eu que até deu um certo chame.

Eventos como esses são fundamentais para praticarmos o fitness intelectual, que parece-me cada vez mais raro nesses tempos de atrofia mental, mentiras simbólicas e estresse ideológico. Sai de lá inspirado e percebendo que não há apenas uma luz no fim do túnel: há um trem-bala que nos fará chegar o quanto antes nessa luz, que já podemos dizer: está quase no início do túnel. Resolvi ir caminhando para casa e refletindo acerca do que eu tinha visto e sentido, quando fui “pego de assalto” por alguns carros com o som “no doze”, cerveja, loiras e morenas gostosas, pagode e funk de qualidade duvidosa... Foi ai que eu percebi que já estava de volta ao país da contradição, onde podemos ir do céu ao inferno em poucos segundos, sem nem passarmos pelo planeta terra. Foi assim que me senti.

Bom, certamente haverá outros sarais, como também certamente haverá outros carros com o som “no doze”, cerveja, loiras e morenas gostosas, pagode e funk de qualidade duvidosa... Acredito, sinceramente, que há uma grande probabilidade da segunda opção ter o seu processo de entropia acelerado, mas o sarau estará lá, para poucos, mas estará lá!

Pé-de-verso

Uma folha branca:
Pede um verso meu!

Uma rosa branca:
Pede um verso meu!

Uma pauta em branco:
Pede um verso meu!

Uma árvore torta:
Pé de um verso meu!

Antônio Sodré - In: "A Besta Poética"

Edilberto Magalhães: Blogueiro, Turismólogo, Produtor Cultural, Organizador de Eventos e Cerimonial – edilbertomagalhaes@gmail.com

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E o agente da demanda?


Quando conheci a obra do dramaturgo, escritor e poeta irlandês Oscar Wilde, o livro “A alma do homem sob o socialismo”, escrito em 1891, foi um dos que mais me instigou e, de certa forma, ajudou-me a sanar alguns questionamentos internos acerca de diversos temas. Em um dos trechos que mais gosto Wilde diz o seguinte:

“Um trabalho de arte é o resultado único de um temperamento único. Sua beleza vem do fato de o autor ser o que ele é. Nada tem a ver com o fato de outras pessoas quererem o que elas querem. No momento em que um artista percebe o que os outros querem, e tenta suprir a demanda, ele deixa de ser um artista e passa a ser um artesão, excelente ou medíocre. Deixa de ser um artista e passa a ser um homem de negócios, honesto ou desonesto”.

Pois bem, quando decidi trabalhar como produtor cultural efetivamente, deixando, de certa forma, o lado “artista” para dedicar-me mais ao serviço burocrático de produtor – que nada mais é do que o administrador de um bem e/ou serviço cultural – uma pergunta não saia da minha cabeça: será que deixarei de ser artista para ser um comerciante?

Pra quem é da área artística – e até pra quem não é – é no mínimo tentador refletir sobre esse fato do artista como um homem de negócios. Ainda mais nos dias de hoje, quando se difunde cada vez mais o conceito de economia criativa e tantos outros temas e, como diz o meu amigo Luciano Pires, “os marqueteiros transformaram a produção cultural brasileira numa indústria baseada em pesquisas e focada em nivelar por baixo os produtos ditos ‘culturais’ que cria e promove”.

O pior é que a situação não é tão “simples” assim... Os grandes formadores de opinião seguindo um dos segredos da fama que é “dar ao povo o que ele quer” acabam por dar dimensões maiores do que as necessárias para algumas “manifestações culturais” e acabam por criarem falsas demandas. Aí surgem as celebridades instantâneas, músicos de um sucesso só, apelação sexual para se manter na mídia, entre outras aberrações culturais.

Pesquisando sobre o tema encontro o texto do Sandro Borelli “Dança: Para quem? Para quê? Por quê?” em que ele reflete acerca do público da dança contemporânea ser cada vez menor e sobre posicionamentos de alguns artistas. Borelli diz que: “as ferramentas ou signos usados na construção de um trabalho coreográfico são, muitas vezes, de difícil acesso a quem nunca viu dança contemporânea. O artista passou a ignorar o público e declarar, talvez influenciado pelo discurso de pesquisadores e acadêmicos, que dança de pesquisa ou de experimentação não se atrela às grandes platéias por um motivo básico: o público comum está a anos luz de compreender a vanguarda. Será?”. Ainda em seu texto Borelli afirma que outro fato determinante para o público cada vez menor é o distanciamento do drama, da lágrima e da emoção. “Quase tudo se tornou hermético demais. Ao público restou o incomodo de ser um boneco acomodado na poltrona do teatro sentindo-se um idiota por não compreender o que está ali bem à sua frente”.

No meio disso tudo temos o público, que tem o papel mais importante nesse contexto, pois ele é o agente da demanda. Não se pode desrespeitá-lo e muito menos oferecer a ele o que temos de pior nos produtos ditos, ”culturais”. Mas qual o “nível” desse agente da demanda para não ser manipulado, hein?

Este é apenas o início de uma reflexão acerca situação atual da produção cultural brasileira. E você, o que pensa a respeito? Ou não pensa nada? E vai fazer o quê?! Escreva-me a sua opinião, pois “refletir sem agir é como comer sem digerir”.